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quinta-feira, 31 de março de 2011

TRABALHANDO A QUESTÃO INDÍGENA

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=22251

Dados da Aula

O que o aluno poderá aprender com esta aula
Nessa aula os alunos poderão conhecer a diversidade cultural dos grupos indígenas do Brasil, analisar o pensamento mítico indígena e problematizar a noção de pertencimento dos grupos indígenas que habitam o território brasileiro.
Duração das atividades
3 aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
Não são necessários conhecimentos prévios, trata-se de uma aula introdutória.
Estratégias e recursos da aula

Para iniciar o tema relacionado à questão indígena no Brasil, o professor exibirá para os alunos a imagem 1, uma visão que claramente confere ao índio um carater único e como aquele que vive em harmonia com a natureza. A ideia do "bom selvagem" elaborada por Jean-Jacques Rousseau surge com uma roupagem contemporânea, relacionada ao meio ambiente. Afinal, ser indígena significa viver em contato harmonico com a natureza? As populações indígenas vivem no Brasil ou pertencem ao Brasil? Com esses problemas na mente, os alunos iniciarão uma mesa redonda sobre a questão indígena. O professor pode abordar temas mais contemporâneos como a questão das reservas indígenas e a defesa de agênciais internacionais sobre esses grupos.
Imagem 1:

Disponível em: http://www.diaadia.pr.gov.br/tvpendrive/modules/mylinks/viewcat.php?cid=12&letter=D&min=10&orderby=titleA&show=10. Acesso em: 03/08/2010. 



Imagem 2:

Disponível em: http://www.diaadia.pr.gov.br/tvpendrive/arquivos/File/imagens/2010/historia/agosto/indio_camera.jpg    Acesso em: 03/08/10 
Após o debate inicial, algumas polêmicas poderão surgir e para incentivar a provocação sobre a identidade indígena, bem como seu papel na nação brasileira, o professor exibirá a imagem 2. O debate, nesse segundo momento, deverá se processar na esfera da cosmologia, ou seja, na visão de mundo indígena. Existe um caráter exclusivo entre tecnologia e tradição? Utilizar um aparato ocidental descarecteriza o índio? As discussões deverão ser encaminhadas à guisa de conclusões relativa ao tema "o que faz do índio indío?".  
Caso o professor tenha disponível um laboratório de informática, as conclusões poderão ser exibidas em formato digital com o apoio de softwares de editoração de revistas eletrônicas, como o sribus. Caso a escola não ofereça essa opção, os alunos poderão exibir suas conclusões preliminares em forma de cartazes. Para isso, os alunos poderão contar com o auxílio do professor de Arte.
Sobre o scribus:
O scribus é um aplicativo de Desktop Publishing de código aberto. Ele permite diagramações bastante sofisticadas, ideal para documentos bastante elaborados, com fotos, gráficos, diagramas, etc. Suporta formatos de saída do tipo pdf, ps, png, jpg, svg, entre outros.
Disponível para download: http://www.baixaki.com.br/download/scribus.htm    



Imagem 3:

Disponível em: http://www.diaadia.pr.gov.br/tvpendrive/arquivos/File/imagens/2010/historia/agosto/ajuricaba_manao.jpg Acesso em 18/08/10. 
Ajuricaba [Construtores do Brasil]  Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnica.html?id=28494 Acesso em: 18/08/10 
Segundo o Álbum da Cidade Manaus 1848-1948, digitalizado pelo Centro Cultural Povos da Amazônia, diz a história da Amazônia que Manaus era o nome de uma tribo indígena, que primitivamente, dominava o vale do Rio Negro. Ajuricaba, que a ela pertencia, chefiou a celebre Confederação Amerinda da Amazônia que fez perigar o domínio lusitano nestas parte do Novo Mundo. Ajuricaba caiu prisioneiro, conduzido acorrentado numa canoa, para bordo de um veleiro português, onde seria levado para a Corte, o guerreiro índio, altivo e nobre, atirou-se, com os seus grilhões a voragem das águas. Preferiu morrer, a viver como escravo. Os seus feitos, revestidos de todos de grande heroísmo e denunciadores de profundo sentido nativista, atravessou o tempo e para os filhos do Amazonas, Ajuricaba tornou-se um símbolo de resistência.
Disponível em: http://jmartinsrocha.blogspot.com/ Acesso em: 18/08/10. 

ATIVIDADE 1:
Depois da exibição do vídeo sobre o heroi Ajuricaba, o professor deverá enfatizar o caráter mítico desse  personagem. Em forma de debate o professor deverá encaminhar as seguintes questionamentos: Qual a relevância desse mito para o povo indígena manáo? O que significa um mito? Será a ciência ocidental um mito? Falar em mitologia significa aproximar o tema para uma discussão menos importante ou relevante para a discussão da história do Brasil? Durante o debate os alunos devem tomar notas sobre as conclusões preliminares para realizarem as atividades seguintes.
De acordo com a teoria estruturalista os mitos são formas de expressar o mundo e as maneiras com que os povos experimentos diversas realidades sem alterar a sua vida terrena. Mito não existe para ser decifrado, existe para provocar a imaginação e para garantir a dimensão ritual dos povos. O antropólgo Levi-Strauss encarou os mitos como notas musicais, ou seja, não importa seu conteúdo em sim, interessa ao pesquisador encontrar a lógica interna dos conteúdos. Foi em busca das diferenças e dos dualismos que Levi-Strauss explicou os mitos. De maneira simplificada, falar que a jibóia é um parente espiritual para o povo kaxinawá não é um disparate, apenas uma forma de perceber a relação do homem com a natureza.


ATIVIDADE 2:
Imagem 4:

Disponível em: http://www.diaadia.pr.gov.br/tvpendrive/arquivos/File/imagens/2010/historia/agosto/diversidade_indigena.jpg Acesso em: 18/08/10. 
Sabendo da diversidade de mitos e cosmologias indígenas, os alunos se dividirão em grupos pequenos (máximo de quatro componentes) para realizar uma pesquisa direcionada sobre as populações indígenas utilizando uma webquest elaborada pela professora Vera Lúcia Pereira.
Disponível em: http://www.doaluno.com.br/servicos/webquest/arquivoswebquest/indios/index.htm    Acesso em 18/08/10. 
Sobre a webquest:
De acordo com Gilian Barros "WebQuest é uma metodologia que direciona o trabalho de pesquisa utilizando os recursos da Internet.Metodologia, estudada, desenvolvida e disponibilizada por Bernie Dodge, EducationalTechnology, San Diego State Universit em 1995, e disseminada no Brasil por Jarbas NovelinoBarato, são produzidas para disponibilização na Internet e podem ser editadas em programas como: Front Page, NVU, Dreamweaver, Mozilla Composer".
Disponível em: http://www.gilian.escolabr.com/textos/webquest_giliancris.pdf    Acesso em: 18/08/10. 


ATIVIDADE 3:
Imagem 5:

Disponívem em: http://www.diaadia.pr.gov.br/tvpendrive/arquivos/File/imagens/2010/historia/agosto/chegada_portugueses.jpg    Acesso em: 18/08/10. 

ATIVIDADE 4:
Para concluir, expera-se que a exibição das pesquisas realizadas pelos alunos possa contribuir para a descontrução do índio como um todo genérico e como um ser próximo aos animais, ou ainda, uma criança que necessita de cuidados. O professor deverá encaminhar as conclusões da pesquisa em forma de áudio-visual com a produção de um pequeno vídeo editado com o auxílio do movie maker ou do software livre kino. Caso a escola não disponibilize um laboratório de informática os alunos poderão criar um roteiro, com o auxílio do professor de Língua Portuguesa, e apresentar para a escola durante as atividades da semana cultural ou mesmo numa data próxima ao dia do índio (19 de abril).
Sobre o movie maker:
O Windows Movie Maker é um software de edição de vídeos da Microsoft. Actualmente faz parte do conjunto de aplicativos Windows Live, chamado de Windows Live Movie Maker (apenas disponível para Windows Vista e 7).
Disponível para download: http://www.baixaki.com.br/download/windows-live-movie-maker.htm     
Sobre o kino:
 O kino é um programa livre para edição de vídeo não-linear voltado para captura de vídeo via placa IEEE-1394 (também conhecida como FireWire ou i.Link), manipulação básica, reprodução e exportação de arquivos de vídeo e áudio em vários formatos: Raw DV, DV AVI, still frames, WAV, MP3, Ogg Vorbis, MPEG, DivX, entre outros. Considerado um programa estável, a simplicidade deste software é sua principal característica.
Disponível para download: http://www.baixaki.com.br/download/kino.htm  
Recursos Educacionais
NomeTipo
Ajuricaba [Construtores do Brasil]Vídeo
Recursos Complementares
O sítio da ABA (Associação Brasileira de Antropologia) oferece links para bibliotecas, revistas, teses e dissertações relativas às questões da etnologia.
http://www.abant.org.br/  

Sítio Povos Indígenas no Brasil
Sobre o sítio:
Povos Indígenas no Brasil foi criado com o propósito de reunir verbetes com informações e análises de todos os povos indígenas que habitam o território nacional, além de textos, tabelas, gráficos, mapas, listas, fotografias e notícias sobre a realidade desses povos e seus territórios, este site vem sendo, no decorrer destes anos, repensado e aprimorado por diferentes parceiros e colaboradores do programa Povos Indígenas no Brasil.
http://pib.socioambiental.org/ 

Documentário: Índios no Brasil: quem são eles?
Documentário sobre os índios no Brasil. O trecho apresenta uma série de entrevistas espontâneas realizadas em diversos estados brasileiros. O diretor do documentário ressalta a falta de informação dos brasileiros sobre os indígenas, ele demonstra uma tendência a essencializar e padronizar a identidade indígena. O documentário procura identificar a diversidade dos povos indígenas no Brasil.
Disponível em: http://www.diaadia.pr.gov.br/tvpendrive/modules/debaser/singlefile.php?id=9354 Acesso em: 03/08/10. 
Avaliação
O professor deverá apresentar e discutir com a turma os critérios de avaliação. Cada conceito deve ser explicitado e aprovado pelo grupo de alunos. Durante a realização das atividades, o professor deverá despertar o interesse dos alunos pelo tema, apontando as possibilidades de interpretação, auxiliar o alunos a transpor suas dificuldades e ressalatar suas qualidades, motivando-o durante o processo de ensino aprendizagem.
Para auxiliar na avaliação sugerimos alguns critérios:  
  1. participação durante as discussões;comprometimento com o grupo;
  2. argumentação durante o debate;
  3. respeito a opinião dos colegas;  
  4. empenho para concluir as atividades;
  5. domínio do tema.


Referências Bibliográficas
BURKE, Peter. A escrita da história: novas perspectivas.São Paulo:  UNESP, 2001.
CARDOSO, Ciro F. & VAINFAS, Ronaldo. Domínios da história: ensaios de teoria e metodologia.Campus: Rio de Janeiro, 1997.
CASTRO, Celso (org.) Evolucionismo cultural: textos de Morgan, Tylor e Frazer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.
CUNHA, Manuel C. (org.) História dos Índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
 _________. Cultura com aspas e outros ensaios de antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2009.
FAUSTO, Carlos. Inimigos fiéis: história, guerra e xamanismo na Amazônia. São Paulo:  UNESP, 2001.
LÉVI-STRAUSS, Claude. Antropologia estrutural. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, s/d.
 ________ . O Cru e o cozido. São Paulo: Brasiliense, 1991.  
________ . O Pensamento selvagem. São Paulo: Papirus, 1997.

OS ÍNDIOS E OS LIVROS DIDÁTICOS

E OS ÍNDIOS, COMO SÃO VISTOS NO BRASIL?




 Em abril/2010, mês do índio,  o Diário do Grande ABC entrevistou crianças do Fundamental I, inclusive a minha filha, a respeito do que elas sabiam sobre os índios. A pesquisa apontou que os estudantes acreditam que o índio ainda vive na mata, anda seminu e depende da caça e pesca. Os especialistas apontaram que a imagem passada aos alunos não é contextualizada. O índio apresentado às crianças é aquele da selva, que usa tanga e caça com arco e flecha. Os livros didáticos precisam ser revistos. É necessário ir além das datas comemorativas e recuperar todo o trajeto histórico. É preciso trabalhar essa concepção e fazer os alunos verem os índios em outra realidade, como os que vivem na cidade. Temos influência dos índios na nossa cultura. Os especialistas também apontam que uma das dificuldades para os índios que vivem na cidade é enfrentar a visão preconceituosa. Veja reportagem completa:


segunda-feira, 28 de março de 2011

EDUCAÇÃO DO CAMPO



Memórias de Alfabetização

Ah! Onde nasci?
Que saudades sem fim!
No interior da Bahia,
Na Fazenda Bom jardim.
Escola? Nem Pensar.
Mas tinha vizinhos
Para me ensinar.
Era com o A B C
Que se aprendia a ler e escrever.
Só depois dos nove anos
Que fui para uma escola,
Era quando estava pronta
Para andar quilômetros
Estrada a fora.
Uma sala, uma mesa grande
E bancos ao seu redor,
Alunos, todos juntos
Sem distinção de série,
Em busca de uma vida melhor.
Cartilha? Nunca vi!
Era o alfabeto,
Nosso grande companheiro.
Aprendeu as letras,
Décor e salteado?
Oh! Filha!
Tá na hora de escrever
Pro pai, pro irmão ou pro namorado.
Lembro do meu grande sofrimento.
Nos finais de semana,
Após entrar na escola,
Vizinhos chegando,
Com papel e caneta
Para escrever e ler cartas
Que vinham de fora.
Dizer não? Não podia!
Era desfeita para os mais velhos.
Criei cara e coragem
E fui construindo a minha história,
Escrevendo e lendo cartas,
Que ficaram na memória.
Educação Infantil?
O povo não podia acessar.
Acredito que o Fundamental de nove
Venha possibilitar
Crianças mais cedo na escola
Garantindo o direito de estudar.

Ivanete/2009

quarta-feira, 23 de março de 2011

Pedagogia da Alternância



Pedagogia de alternância na Educação rural

 
APRENDER NA ESCOLA Além das disciplinas regulares, os alunos têm aulas voltadas para a realidade rural.

A Pedagogia de alternância intercala um período de convivência na sala de aula com outro no campo para diminuir a evasão escolar em áreas rurais

APRENDER NA ESCOLA Além das disciplinas regulares, os alunos têm aulas voltadas para a realidade rural. Fotos: Carlos Costa
A vida no campo também ensina. Esse é o preceito básico da Pedagogia de Alternância, proposta usada em áreas rurais para mesclar períodos em regime de internato na escola com outros em casa. Por 30 anos, a receita foi aplicada no Brasil por associações comunitárias sem o reconhecimento oficial. Agora, o Ministério da Educação (MEC) não apenas aceitou a Alternância como também quer vê-la ainda mais disseminada.

A metodologia foi criada por camponeses da França em 1935. A intenção era evitar que os filhos gastassem a maior parte do dia no caminho de ida e volta para a escola ou que tivessem de ser enviados de vez para morar em centros urbanos. No Brasil, a iniciativa chegou com uma missão jesuíta, no Espírito Santo, em 1969. Logo se espalhou por 20 estados, em áreas onde o transporte escolar é difícil e a maioria dos pais trabalha no campo. Os alunos têm as disciplinas regulares do currículo do Ensino Fundamental e do Médio, além de outras voltadas à agropecuária. Quando retornam para casa, devem desenvolver projetos e aplicar as técnicas que aprenderam em hortas, pomares e criações.
Até 1998, os estudantes que se formavam nessas instituições ainda precisavam prestar um exame supletivo para conseguir o diploma, mas no ano seguinte o regime foi legitimado pelo MEC. Hoje, são 258 escolas com pelo menos 20 mil estudantes em todo país - e índices de evasão baixíssimos (veja o mapa abaixo). O diretor de Educação para Diversidade do ministério, Armênio Bello Schmidt, é um entusiasta da modalidade. "Enfrentamos problemas para transportar alunos de áreas afastadas para o centro e muitas vezes eles não querem isso", diz. Schmidt afirma que mais escolas vão adotar a Alternância nos próximos anos, já que há a fila de espera por vagas.

Número de escolas de alternância no Brasil
Pé firme no campo, mas de olho na universidade 
A Escola Família Agrícola Riacho de Santana, a 846 quilômetros de Salvador, aplica a Alternância de 5ª a 8ª série, com conteúdo adicional de iniciação à agricultura, à zootecnia e à administração rural. Foi isso que fez Paulo Cezar Souza Calado, 16 anos, voltar a estudar depois de ter desistido na 7ª série, há dois anos. "Eu tinha aulas no centro e perdia mais de duas horas só para ir e voltar. Não via sentido. Aqui aprendi a fazer pocilga e horta. Quero fazer um curso de técnico agrícola e trabalhar com isso", projeta.

No Centro Estadual de Educação Profissional Newton Freire Maia, em Pinhais, a 7 quilômetros de Curitiba, a maioria dos alunos demonstra interesse em ingressar na universidade - em geral, em cursos ligados ao campo. "Estamos disseminando conhecimentos agropecuários para pequenos produtores e ajudando a melhorar a vida de muita gente", entusiasma-se o diretor, Eduardo Kardush.

Na escola, os alunos alternam períodos de três semanas na instituição com uma em casa. Enquanto estão na unidade, eles têm aulas das 7h30 às 12h e das 13h às 15h. No restante do tempo, têm disciplinas como agronomia e ecologia e ajudam a cuidar dos três hectares com horta, pomar e animais. Eles também fazem tarefas nos quartos e na cozinha. "Os funcionários são os responsáveis, mas os alunos participam de tudo", diz o diretor.

Quando o dia acaba, todos se dirigem ao prédio do internato. Os dormitórios coletivos são divididos por estudantes do mesmo sexo e, preferencialmente, cidade. Os inspetores supervisionam a garotada, inclusive durante as atividades de lazer. Namoros só são permitidos com autorização dos pais por escrito.

Professores precisam conhecer a realidade do aluno

Diante de uma rotina tão distinta, o trabalho dos professores também muda bastante. A começar por um ponto básico: em uma semana por mês, as salas de aula estão vazias. É nesse período que eles elaboram seus planos de aula e projetos e, eventualmente, visitam as comunidades atendidas pela escola. "A visita é fundamental para o professor saber o que pode ou não exigir do aluno enquanto está em casa", garante Érica Cristina dos Santos, que leciona Língua Portuguesa. "Alguns lugares têm até internet e outros nem energia elétrica. É preciso sempre pensar em atividades flexíveis", diz.

A professora de Geografia Rosa Caldeira de Moura destaca a facilidade de desenvolver projetos anuais. "No ensino tradicional, os alunos tendem a dispersar, mas aqui as atividades práticas servem de fio condutor", explica. Toda vez que a turma está para voltar para casa, ela pensa em um tema que possa ser visto na prática. Um exemplo é a erosão. Ela explica o fenômeno e os riscos que ele traz, depois ensina a reproduzi-lo em um pequeno espaço da horta, retirando raízes e acrescentando água. "O pessoal faz e não esquece nunca mais", garante.

A autora do livro A Educação Rural no Brasil, Claudia Souza Passador, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), defende o uso em larga escala da Alternância, pois entende que ela valoriza o trabalho no campo. "A maioria das escolas estigmatiza o agricultor. As crianças são levadas a pensar que trabalhar na roça é para quem não tem estudo. Um erro. O conhecimento é útil em todas as áreas. O Brasil, especialmente, precisa de pessoas bem formadas para esse setor porque 80% dos municípios têm uma economia essencialmente rural", diz.

Em Goiás, a 130 quilômetros de Goiânia, Daiane Naier da Silva se tornou uma entusiasta do método. Na Escola Família Agrícola de Goiás, a alternância é de duas semanas na instituição e duas em casa. Daiane dá aula de Matemática em dois períodos e, uma vez por semana, dorme na escola em esquema de revezamento para cuidar da garotada. Para ela, isso gera um relacionamento pessoal que leva a bons resultados. "Os alunos se tornam próximos e adquirem confiança na gente", afirma.

Daiane destaca o diálogo constante com os jovens para entender seu cotidiano. Daí cria problemas com cabeças de boi e dúzias de frutas ou divisão de espaços semelhantes ao que fazem em casa. "Eles me explicaram como funciona a reforma agrária, as dificuldades que passam nos assentamentos e como fazem para contornar. Aqui a gente ensina, mas também aprende muito", conclui.
Urbano x rural

O apoio oficial à Alternância ainda gera polêmica. Há a preocupação de que o método perpetue crianças e adolescentes no campo - caso em que a Educação não cumpriria seu papel de ampliar possibilidades. Segundo o diretor de Educação para a Diversidade do MEC, Armênio Bello Schmidt, os resultados mostram o contrário. "Cerca de 70% dos alunos de Alternância ingressam no Ensino Superior. Nas escolas públicas, esse índice é inferior a 60%", garante. Mestre em Educação pela Universidade do Estado da Bahia (UEB), Neurilene Martins Ribeiro afirma que o tema precisa de mais debate antes de se tornar uma política pública. Ela estudou a rotina de escolas rurais da chapada Diamantina e tem dúvidas sobre a aplicação da Alternância. "Por um lado, nossas políticas são muito urbano-centristas e precisamos valorizar o meio rural. Por outro, esse método pode acentuar a separação entre cidade e campo", conclui.

BIBLIOGRAFIA
A Educação Rural no Brasil, Claudia Passador, 199 págs., Ed. Annablume, tel. (11) 3812-6764, 26 reais 

sábado, 19 de março de 2011

BULLYING: PROBLEMAS E PROVÁVEIS SOLUÇOES

BULLYING: Discuta esse problema

BULLYING: Discuta esse problema

 1º SEMINÁRIO DE DISCUSSÃO PÚBLICA DE SÃO BERNARDO DO CAMPO SOBRE BULLYING.

Bullying: Problemas e Principais Soluções.

ESPECIALISTAS, PAIS, EDUCADORES E O PODER PÚBLICO DISCUTEM O IMPACTO DESSE PROBLEMA PARA OS JOVENS E APONTAM OS CAMINHOS PARA A BUSCA DE SOLUÇÕES.

Conheça a opinião de especialistas sobre os danos dessa prática, saiba como a lei encara a questão e fique a par das ações que o poder público está tomando para assegurar o bem estar de nossas crianças.
Se você é educador você poderá compatilhar experiências e sugestões em um debate dinâmico que visa somar forças para resolver essa questão.

Presenças Confirmadas:

Dra. Alessandra Bernardes Caturani Wajnsztejn – Psicóloga, Psicopedagoga e Neuropsicóloga, Especialista em Aprendizagem
Dr. José Carlos G. Blat – Promotor de Justiça, Mestrando em Direito pela Puc/SP, Professor de Cursos de Graduação e Pós-Graduação
Dr. Raimundo Hermes Barbosa – Advogado, Ex-Conselheiro Federal da Ordem Dos Advogados do Brasil, Secção de São Paulo, Presidente da Federação dos Advogados do Estado de São Paulo
Dr. Rubens Wajnsztejn – Neurologista da Infância e Adolescência e Coordenador do Núcleo Especializado em Aprendizagem da FMABC.

DIA 22 DE MARÇO/2011 | das 08H30 às 12H00

LOCAL:

CÂMARA MUNICIPAL DE
SÃO BERNARDO DO CAMPO
Praça Samuel Sabatini
nº 50 | CENTRO | SBC | SP

vagas limitadas, faça hoje mesmo sua confirmação!

Informações e Confirmações de Presença através dos telefones:
4331-4358 | 4331-4359 | 4331-4360 | 4331-4361
ou do e-mail mauromiaguti@camarasbc.sp.gov.br (Fonte)

domingo, 13 de março de 2011

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS...



Sandra Medrano, coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac), explica qual deve ser a postura do educador da EJA diante dos alunos resistentes às novas práticas de ensino. Fonte : Nova Escola
Cordel: A EJA em Diadema
  

Minha amiga Ivanete
Comigo ela conversou
E durante algum tempo
A história ela falou
Do trabalho em Diadema
Que na EJA ela trilhou.

Eu também contribuí
Com a minha experiência
Relatando minha história
E toda minha influência
No inicio do trabalho
Com os alunos da Suplência.

Para os nossos alunos
Que voltaram a estudar
Aula pra ter qualidade
Muito tem que registrar
Para isso a lousa cheia
Nunca vai poder faltar.

Num trabalho muito duro
De conscientização
Nós mostramos para eles
Que não é só isso não
Precisamos trabalhar
Com uma outra visão.
Começamos a mostrar
Que é importante refletir
Sobre cada experiência
Para gente prosseguir
Cada um tem uma história
Que não fica só aqui.

Diante do desafio
De textos analisar
Buscando a variedade
De gêneros trabalhar
Ver a intencionalidade
E a outros textos comparar.

Temos que valorizar
A vida de cada um
Sua história lingüística
Que nunca vai ser comum
Trabalhar variedades
Parece ser novidade
Não pode ser incomum.

  Roberto / Ivanete
2009

terça-feira, 8 de março de 2011

Reflexões a partir do texto lido "Valores e Educação" de Clodoaldo Meneguello Cardoso

 Valores e Educação

O que ficou muito marcante para mim nesta unidade foi a postura do professor na formação das crianças, em especial na educação infantil que vem ganhando cada vez mais seu espaço de respeito e consideração na sociedade como uma educação de fundamental importância na formação das crianças. Temos agora o ensino fundamental de 09 anos, a obrigatoriedade da criança entrar mais cedo na escola. Quando pensamos em termos de Brasil, é uma ação importante em termos de direito da criança, ter acesso mais cedo ao convívio com a diversidade. No Nordeste, por exemplo, eu mesma só tive acesso a primeira escola aos 09 anos de idade, não existia educação infantil, muito menos escola próxima de casa. Primeiro era necessário crescer, criar resistência para enfrentar o sol quente e seis quilômetros a pé para se chegar  na escola. Li um texto "Brincadeira é coisa séria" que saiu no Diário do Grande ABC-13/10/10 de Carlos Ferrari - Presidente do CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social e Vice-Presidente da Fenavape (Federação Nacional das Avapes) e pude estabelecer relações com o texto sobre Valores e Educação. Cralos Ferrari é deficiente visual e diz o seguinte: "Pensando no passado, fiquei admirado em observar como a sabedoria infantil privilegia a inclusão e a acessibilidade. Lembro-me bem das alternativas que eu e meus amiguinhos encontrávamos para brincar de bola. Sem que tivéssemos uma daquelas preparadas, com guizo, e simplesmente providenciávamos uma sacola plástica bem barulhenta que pudesse, com a bola ensacada, fazer com que eu soubesse o tempo todo onde ela estava. Ser cego também nunca me impediu de brincar de pega-pega, já que os colegas adoravam me ajudar fazendo barulho para eu saber sempre onde cada um estava. Cabra-cega era outra brincadeira, sempre eleita entre as preferidas, pois já trazia a solução pronta para minha participação..." Pensei: O que fazer na escola para que atitudes como estas presentes na infância sejam cada vez mais desenvolvidas nos alunos? Neste depoimento podemos observar o quanto as crianças são mais abertas e receptivas às diversidades existentes. Acredito que se a escola investisse num trabalho tendo como foco a percepção da diversidade, a consciência da igualdade e o sentimento de solidariedade, com certeza, teríamos um mundo muito mais solidário e menos excludente. As crianças não precisam ser preparadas para vir a ser, elas podem e devem participar ativamente das decisões, assim poderão aprender desde cedo que as diferenças existem e que as pessoas precisam ser respeitadas na sua individualidade. O texto " Valores e Educação" contribui para que a escola repense o seu projeto desde a escolhas dos conteúdos a serem trabalhados, o tipo de avaliação, as estratégias para ensinar, as atitudes disciplinares, a própria gestão da sala de aula. O relacionamento com os alunos, a forma como atuamos profissionalmente transmitem valores que influenciam fortemente na formação das crianças. O exemplo educa mais que as palavras. Com relação à escolha dos conteúdos, lembrei da geometria que sempre aparece bem no final dos livros didáticos para que o ano termine e o aluno não tenha acesso. Também a Filosofia que desapareceu das grades curriculares, voltou recentemente. Não há interesse da classe dominante pelo exercício da  cidadania ativa. Como dizia Sócrates: "Os que questionam são mais perigosos." O texto de fato nos leva a uma autorreflexão sobre nossos próprios valores e acreditar o quanto o nosso trabalho pode fazer a diferença na vida de uma criança. Com relação à atividade proposta, o autorretrato a partir da imagem observada no espelho, propus aos meus alunos de 06 anos uma atividade semelhante: confecção de um boneco com suas próprias características. Os bonecos ficaram em exposição para o diálogo nas rodas de conversas entre os alunos, resgatando as diferenças e o respeito às características, bem como o jeito de ser de cada um. Foi um trabalho muito rico! Segue foto com parte da turma para visualização. Li também um livro para a turma da literatura infanto-juvenil "O sapo apaixonado" - autor: Max Velthuijs. Este livro provocou uma discusão muito interessante entre os alunos: Um sapo verde pode se apaixonar por uma pata branca? Fazendo o curso estou me sentindo mais instrumentalizada para trazer a discussão com os alunos sobre o diferente e o respeito à diversidade. Nossos olhos ficam mais atentos ao que lemos e mais repletos de saberes de como provocar determinadas reflexões em sala de aula.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O debate sobre diversidade é necessário e urgente! Não podemos contribuir para uma geração de profissionais que agem de forma preconceituosa e excludente.

Ao ouvir seu nome chamado, Cleide dirigiu-se rápida à mesa número 3.452.678 no extenso salão (uma empresa abandonada, falida) que o Órgão Apropriado à Educação, Ensino e Matérias Correlatas havia alugado e no qual estavam sendo iniciadas as triagens. Sentou-se diante do examinador e sorriu. Estava feliz, achava que finalmente poderia realizar seu sonho, o de dar aulas, adorava crianças, pedagogia, sentia-se cheia de criatividade e ideias.
- Pronto! É um teste? Um exame? Como os antigos exames orais?
Estava excitada, a mãe tinha contado sobre os exames orais, em um tempo em que havia reprovações, em que havia segunda época, depois recuperação, em que os professores eram rígidos, severos e disciplinadores, exigiam que se soubesse para seguir adiante. A mãe contava que o oral era chamado de a "hora da verdade". Sabia, sabia. Nota boa. Não sabia, ia embora. Como seria agora? O que perguntariam, em que bairro daria aulas?
Ah! Contou a mãe, como se estivesse narrando uma fábula de Esopo, ou de La Fontaine, naquele época, não tínhamos o medo que vocês têm hoje. Não havia professores agredidos por alunos nas classes. Não havia grafites nem salas sujas, carteiras quebradas, falta de equipamento. Um pai não ousava interpelar um mestre quanto a punição, nota baixa ou repreensão dada ao aluno. Processo na Justiça por reprovação? Imagine! Era ficção, loucura. Ser chamado à diretoria e tomar suspensão era normal, os pais aprovavam, até elogiavam o diretor, o professor ou o inspetor de alunos. Ser suspenso era uma vergonha. A suspensão era complementada em casa por um castigo, corte de mesada, proibição de sair, de ir ao cinema, enfim, alguma coisa que doesse na pele do jovem.
- Nossa, mãe! Não é verdade, nada disso existiu. É conto de fada, invenção maluca, mil e uma noites. Um jovem de 15 ou 16 anos aceitava? Não era um regime totalitário de pais e escolas?
- Que eu saiba, não formou nenhum criminoso, neurótico, paranoico, desajustado social, suicida. Havia uma coisa que se chamava ordem, estudo, trabalho.
- Os tempos mudaram, mãe!
- Para a frente ou para trás? Para melhor ou pior? Em que colocação o Brasil está no mundo em matéria de educação? Já viu o índice?
- Não tenho tido tempo de ler jornais!
- Nem de ler jornais nem de ler nada, vocês não têm tempo, têm uma subvida, subqualidade intelectual. O que é dado a vocês para sair e ensinar? Zero, de zero, de zero, filha!
- E vocês, mãe, ganhavam bem?
- Ganhávamos, tínhamos casa, alguns até compravam carro, num tempo em que não havia fabricação de carros no Brasil. Era comum as pessoas passarem e comentarem, diante de uma casa de primeira: aqui mora o professor Jurandir, de português. Aqui mora a professora Cidinha Valério, de história. Aqui mora o professor Valter Mauro, de geografia.
- Vocês davam aulas num lugar só? Sobreviviam?
- Claro, num lugar só! Como ler, estudar, preparar aulas, fazer reuniões, sem ter tempo, com essa maluquice de hoje? Como pode um professor sair de uma aula, correr para outro colégio, em outro bairro, a quilômetros de distância, pegando ônibus, dar nova aula e voar para outra escola?
- Agora é assim, mãe. Fazer o quê? Não dá para ser saudosista, os tempos mudaram.
- Será que para melhor? O que significa melhor?
- A senhora já disse isso!
- Disse, vou dizer. Vocês é que não dizem, não questionam, não interpelam, não exigem, só obedecem.
- O que podemos fazer?
- Resistir, filha, resistir!
Cleide tinha todas as manhãs a mesma conversa com a mãe. Resistir. O que ela queria dizer? O tempo deixou de existir para os professores públicos, ela pensava. Por que ainda queremos dar aulas? O que nos leva a isso? Que sonho maluco! Ou seria uma maldição? Um carma? Cruz que se leva na vida? Um sonho que bate de encontro a uma pedreira, a um muro de concreto, a uma rocha. Quantas vezes vi meu namorado esta semana? Ele também dá aulas. Quando vai, venho, quando ele vem, vou. Outro dia, nossos ônibus se cruzaram, ele me viu, abanou a mão. Isso foi carinho. Não sei o que fazer sozinha. Um professor ganha menos de um centésimo de um deputado, senador, vereador e eles nem vão às sessões. Uma cambada! É muita política, politicagem misturada, tudo virou politicagem, a gente vive atordoada, eu me sinto usada, manipulada. Mas agora, parece que vai mudar. Este chamado hoje, vai ver decidiram modificar as coisas. Está todo mundo animado, lá fora a fila de professores dá 20 voltas no quarteirão, há tanta esperança. Estudei, li, vim preparada. Que perguntas vão me fazer? Matemática, história, geografia, gramática, filosofia, lógica, informática? O quê? Hoje é o início de renovação, foi dito pelo líder dos sindicatos, da associação de mestres, de todas as organizações.
- Está pronta, senhorita?
- Estou. Pode perguntar.
- Antes de perguntar, vamos até aquele canto comigo.
- Até o canto?
Cleide foi, pensando: o que será? No canto havia uma balança. O interlocutor governamental pediu a ela que subisse. Cleide desentendeu, mas subiu, uma luz vermelha acendeu, uma sirene começou a tocar, ela se assustou, o homem olhou os números.
- Pode descer! Ir embora!
- Como ir embora? Nem fui examinada.
- Foi. E foi desclassificada. Não ouviu o alarme? Olhe seu peso! A senhorita é gorda, é obesa. Veja quantos quilos! Como se atreve? Acha que pode dar aulas? O que pensa que nosso ensino é? Vai aguentar ficar de pé dando aulas? Não vai suar e transpirar? Não vai ter fome no meio da aula? Vai conseguir subir uma escada? E se tiver um ataque cardíaco? Será que não vai se aproveitar da merenda dos meninos e dos jovens? Não vai perder a respiração? Romper um aneurisma, ter uma pancreatite, uma cirrose, um edema?
Intimamente, o examinador pensava, sem poder dizer, porque poderia ser processado: "Baleia, leitoa pururuca, toicinho, banha, sebácea, adiposa, acha que ser professora é o quê?"
Cleide saiu atordoada. Na rua, perdeu a direção, não acreditava. Chorou. Na sala, o examinador chamou: "A próxima". A jovem entrou e foi encaminhada à balança.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Projeto

Projeto: Respeito à diversidade na escola
Objetivos
- Geral Estimular intervenções individuais e coletivas contra atitudes preconceituosas. - Para a equipe diretiva e a coordenação pedagógica Criar condições necessárias para que as ações sejam realizadas. - Para os professores Definir conteúdos, atividades e abordagens metodológicas que tratem a cultura negra de modo transdisciplinar. - Para os alunos Compreender a diversidade étnico-racial e respeitá-la. - Para os funcionários Participar de ações educativas que visam melhorar o comportamento de todos com relação à diversidade. - Para os pais Colaborar com as ações propostas pela escola e, assim, desenvolver atitudes de respeito à diversidade étnica e racial.
Conteúdos de Gestão Escolar
- Administrativo Levantamento dos perfis dos alunos, elaboração de questionários, tabulação dos dados e organização de atividades. - Comunidade Estímulo à reflexão sobre o tema. - Aprendizagem Estudo da cultura afrobrasileira e das semelhanças e diferenças entre grupos étnicos existentes na escola. Elaboração de estratégias de combate à discriminação para a formação continuada dos professores.
Tempo estimado
Um ano.
Material necessário
Livros didáticos e de literatura, filmes, murais, sequências didáticas, caderno de anotações compartilhado entre todos, questionários de diagnóstico, acompanhamento e avaliação.
Desenvolvimento
1ª etapa Diagnóstico
Com base nas fichas de matrícula dos alunos e entrevistas iniciais feitas com os pais, prepare um levantamento do perfil dos alunos da escola. Reserve um horário de formação para apresentar aos professores esse material e leve também os relatos das atitudes preconceituosas observadas na escola sem dar nomes nem fazer julgamentos. Peça que todos respondam a um questionário com perguntas sobre a cultura negra e o modo como o racismo se manifesta. Todas as informações devem ser tabuladas e servirão de base para o planejamento pedagógico.
2ª etapa Participação dos funcionários 
Todos devem ser envolvidos no projeto desde o início. Marque uma reunião com os funcionários do serviço de apoio para falar sobre o trabalho que será desenvolvido na escola. Afirme que a participação deles é fundamental para que a escola se torne um lugar de respeito à diversidade. Peça que os diferentes grupos de funcionários escolham uma maneira de participar e elaborem uma ação pontual sobre o tema. No CMEB Mário Leal Silva, cada grupo ganhou um mural para desenvolver o trabalho. As merendeiras, por exemplo, preencheram o espaço com receitas africanas que passaram a preparar na cantina.
3ª etapa Envolvimento dos pais
As perguntas a respeito do racismo na escola devem ser feitas também aos pais para que eles relatem situações nas quais eles ou os filhos vivenciaram situações discriminatórias. Mande um questionário para que eles respondam em casa. Tabule os resultados e exponha-os em uma reunião do Conselho Escolar, onde todos podem debater o assunto e pensar em maneiras de evitar que atitudes preconceituosas voltem a ocorrer. Pelo menos duas vezes ao ano, promova um encontro de pais e peça que cada um traga elementos de sua cultura (como objetos de artesanato) para que sejam compartilhados com o grupo. Discuta a responsabilidade que todos têm na manutenção de um convívio sem preconceitos e exponha as ações que a escola desenvolve contra a discriminação.
4ª etapa Encontros de estudo
Com a análise dos diversos questionários que foram feitos, agende reuniões com a equipe pedagógica para discutir um plano de trabalho e elaborar propostas. No início, apresente um trecho de um filme que tenha alguma situação de preconceito. No CMEB Mário Leal Silva, a diretora, Mônica Louvem, apresentou
O Triunfo, que trata da hostilização contra alunos pobres e negros e das ações de um professor para mudar isso. Debata as soluções encontradas pelo personagem. O obejtivo é fazer com que o grupo formule sugestões para serem colocadas em prática. Devem surgir algumas ideias, como eleger um dia da semana para o estudo de diferentes culturas - africana, europeia, oriental ou indígena - ou ainda promover momentos de leitura em conjunto com alunos e funcionários para a compreensão da diversidade étnica.
5ª etapa Definição de conteúdos disciplinares
Sob a orientação do coordenador pedagógico, os professores devem introduzir conteúdos ligados à cultura africana no planejamento das aulas, como a leitura de textos e a análise de pinturas e desenhos e a posterior produção (que pode ser exposta nos murais da escola). Outra sugestão é oferecer atividades pedagógicas no contraturno.
6ª etapa Documentação e acompanhamento
A equipe de gestão deve acompanhar de perto as atividades. Ao longo do projeto, os relatos de pais, funcionários e professores devem ser registrados em um caderno de anotações que será compartilhado entre todos. Os alunos podem documentar as medidas que consideram importantes para combater o preconceito. Sempre que houver manifestações de racismo, é importante fazer uma reunião com os envolvidos - sejam eles professores, pais, funcionários ou alunos. O diálogo entre as partes, com intermediacão de uma terceira pessoa, é a melhor solução para os problemas de discriminação.
Avaliação
As atitudes preconceituosas devem diminuir na escola. Ao fim de um período, toda a comunidade pode responder a um novo questionário: que contribuições o projeto está trazendo para o trabalho e o cotidiano? Que mudanças foram observadas? Quais atividades você considera de maior relevância? As respostas servirão de orientação para novas práticas.