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terça-feira, 8 de março de 2011

Reflexões a partir do texto lido "Valores e Educação" de Clodoaldo Meneguello Cardoso

 Valores e Educação

O que ficou muito marcante para mim nesta unidade foi a postura do professor na formação das crianças, em especial na educação infantil que vem ganhando cada vez mais seu espaço de respeito e consideração na sociedade como uma educação de fundamental importância na formação das crianças. Temos agora o ensino fundamental de 09 anos, a obrigatoriedade da criança entrar mais cedo na escola. Quando pensamos em termos de Brasil, é uma ação importante em termos de direito da criança, ter acesso mais cedo ao convívio com a diversidade. No Nordeste, por exemplo, eu mesma só tive acesso a primeira escola aos 09 anos de idade, não existia educação infantil, muito menos escola próxima de casa. Primeiro era necessário crescer, criar resistência para enfrentar o sol quente e seis quilômetros a pé para se chegar  na escola. Li um texto "Brincadeira é coisa séria" que saiu no Diário do Grande ABC-13/10/10 de Carlos Ferrari - Presidente do CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social e Vice-Presidente da Fenavape (Federação Nacional das Avapes) e pude estabelecer relações com o texto sobre Valores e Educação. Cralos Ferrari é deficiente visual e diz o seguinte: "Pensando no passado, fiquei admirado em observar como a sabedoria infantil privilegia a inclusão e a acessibilidade. Lembro-me bem das alternativas que eu e meus amiguinhos encontrávamos para brincar de bola. Sem que tivéssemos uma daquelas preparadas, com guizo, e simplesmente providenciávamos uma sacola plástica bem barulhenta que pudesse, com a bola ensacada, fazer com que eu soubesse o tempo todo onde ela estava. Ser cego também nunca me impediu de brincar de pega-pega, já que os colegas adoravam me ajudar fazendo barulho para eu saber sempre onde cada um estava. Cabra-cega era outra brincadeira, sempre eleita entre as preferidas, pois já trazia a solução pronta para minha participação..." Pensei: O que fazer na escola para que atitudes como estas presentes na infância sejam cada vez mais desenvolvidas nos alunos? Neste depoimento podemos observar o quanto as crianças são mais abertas e receptivas às diversidades existentes. Acredito que se a escola investisse num trabalho tendo como foco a percepção da diversidade, a consciência da igualdade e o sentimento de solidariedade, com certeza, teríamos um mundo muito mais solidário e menos excludente. As crianças não precisam ser preparadas para vir a ser, elas podem e devem participar ativamente das decisões, assim poderão aprender desde cedo que as diferenças existem e que as pessoas precisam ser respeitadas na sua individualidade. O texto " Valores e Educação" contribui para que a escola repense o seu projeto desde a escolhas dos conteúdos a serem trabalhados, o tipo de avaliação, as estratégias para ensinar, as atitudes disciplinares, a própria gestão da sala de aula. O relacionamento com os alunos, a forma como atuamos profissionalmente transmitem valores que influenciam fortemente na formação das crianças. O exemplo educa mais que as palavras. Com relação à escolha dos conteúdos, lembrei da geometria que sempre aparece bem no final dos livros didáticos para que o ano termine e o aluno não tenha acesso. Também a Filosofia que desapareceu das grades curriculares, voltou recentemente. Não há interesse da classe dominante pelo exercício da  cidadania ativa. Como dizia Sócrates: "Os que questionam são mais perigosos." O texto de fato nos leva a uma autorreflexão sobre nossos próprios valores e acreditar o quanto o nosso trabalho pode fazer a diferença na vida de uma criança. Com relação à atividade proposta, o autorretrato a partir da imagem observada no espelho, propus aos meus alunos de 06 anos uma atividade semelhante: confecção de um boneco com suas próprias características. Os bonecos ficaram em exposição para o diálogo nas rodas de conversas entre os alunos, resgatando as diferenças e o respeito às características, bem como o jeito de ser de cada um. Foi um trabalho muito rico! Segue foto com parte da turma para visualização. Li também um livro para a turma da literatura infanto-juvenil "O sapo apaixonado" - autor: Max Velthuijs. Este livro provocou uma discusão muito interessante entre os alunos: Um sapo verde pode se apaixonar por uma pata branca? Fazendo o curso estou me sentindo mais instrumentalizada para trazer a discussão com os alunos sobre o diferente e o respeito à diversidade. Nossos olhos ficam mais atentos ao que lemos e mais repletos de saberes de como provocar determinadas reflexões em sala de aula.

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